Apresentação/Introdução
A Campanha de Imunização Covid no Brasil enfrentou muitas dificuldades, primeiro por divergências de entendimentos sobre os documentos técnicos recebidos pelos órgãos responsáveis, que traziam orientações ambíguas por parte dos entes federados; e depois pela falta de recurso financeiro para a execução das ações, as quais foram realizadas prioritariamente com recursos próprios. A instabilidade política no cenário brasileiro favoreceu à crescente onda de fake-news, inclusive sobre a vacinação. O medo do contágio assolava a população que via na vacina o antídoto para a doença. Isso fez com as pessoas tentassem burlar os critérios para serem vacinadas antes. Alguns fura-filas, tentaram se passar por profissionais da saúde ou por população dos grupos de risco. Esse foi outro ponto que gerou dificuldade porque trouxe bastante insegurança para os profissionais que trabalhavam na vacinação, pois eram responsabilizados pelos erros nos critérios. Mesmo assim, tínhamos o compromisso com a população de receber os imunizantes e rapidamente organizar a logística para que a imunização fosse feita em um maior número de pessoas em um menor espaço de tempo, pois acreditávamos que dessa forma, poderíamos diminuir o número de agravamento da doença e com isso diminuir o congestionamento dos serviços de urgência e emergência e os leitos de internação. O município de Assis iniciou a Campanha de vacinação em 22 de janeiro de 2021 seguindo os critérios das normas técnicas.
Objetivos
Descrever o relato de experiência da Campanha de Vacinação contra a Covid-19 em um município do interior paulista.
Metodologia
A equipe de planejamento da Campanha se reunia diariamente para elaborar as estratégias. Primeiramente, a VE local distribuiu os imunizantes para os serviços hospitalares e de urgência, junto com os documentos técnicos e termo de orientação. Depois, quando vacinávamos a população geral, priorizamos por realizar pontos de vacinação fora das UBS, a fim de não cruzar o fluxo com quem apresentavam sintomas gripais. Construímos uma parceria com os trabalhadores da Secretaria Municipal da Educação e utilizamos 5 escolas municipais como pontos fixos de vacinação, além de igrejas e pontos de Drive-Thru que funcionava para dar vazão a demanda quando abríamos a faixa etária. Realizamos algumas ações estratégicas de vacinação no domicilio para idosos, pessoas acamadas ou com limitações físicas; na população em situação de rua; sistema “delivery” nas empresas; em adolescentes nas escolas e busca ativa dos faltosos por contato telefônico. As ações eram organizadas de acordo com as informações levantadas pela equipe de comunicação da SMS, que investiu na interatividade com os usuários através das redes sociais. Baseado nisso, elaboramos diversas ações temáticas como festa junina, carnaval e a Balada Vacina-Fest. Em junho, com a pouca adesão de pessoas com comorbidades e tendo o imunizante, ampliamos a faixa etária em 10 anos em uma ação que durou 14h e envolveu 120 trabalhadores. Em 10 de agosto, mesmo antes da cidade de São Paulo, organizamos 33h de vacinação no Drive Balada-Fest.
Resultados
Identificamos que à medida que aumentava a cobertura vacinal no município, havia uma diminuição gradativa no número de casos positivos, internações e óbitos. No período de janeiro a junho, a cobertura vacinal estava a passos lentos devido ao recebimento gradual das doses pelo Governo de Estado. Neste momento, vacinávamos maiores de 42 anos e os grupos prioritários, com a cobertura para D1 em 52,40% e D2 em 34,90%, e tínhamos um pouco mais de 70 óbitos por mês. Em junho, após a ampliação da faixa etária em 10 anos, atingimos 4.064 pessoas em um único dia, o que equivale um aumento de 5% na cobertura vacinal. Com isso, entramos no mês de julho com um novo cenário, uma redução de 80% dos óbitos, 76% das internações e 70% dos casos positivos. Em agosto, com a chegada do público de 18 anos e a organização da “Virada da vacinação”, em dois dias imunizamos 5.732 pessoas, só na Balada foram 1.703. A partir de então, o recebimento dos imunizantes pelo Governo de Estado passou a ser constante, e ao final de 2021 tínhamos 95% vacinados com D1 e 91% com D2, não tínhamos óbitos e nem internados. Em novembro, na busca pelos faltosos, com a “vacina delivery” nas empresas atingimos 107 pessoas, mas nessa missão qualquer pouco é muito. No mês de dezembro, aumentamos 17% da cobertura vacinal nos adolescentes de 12 a 17 anos com a ação da vacinação nas escolas. Com esta experiência, além de boa cobertura vacinal, nos trouxe grande integração das equipes de saúde e paródias de músicas.
Conclusões
Consideramos a vacina a principal ferramenta para o combate a pandemia, mas sabemos que para chegar em dezembro de 2021 com esses números foi resultado de diversas ações das equipes de saúde que tinham o mesmo objetivo. Atualmente, temos um outro cenário da pandemia no Brasil, e sabemos que o nosso trabalho ainda não acabou. Pagamos um preço alto para chegar até aqui, às custas da saúde dos nossos trabalhadores que estão sobrecarregados. Porém, seguimos firmes para avançar na vacinação de nossas crianças que possuem responsáveis com opiniões divididas sobre essa decisão. Por fim, venceremos.
Palavras-chave
Vacinação Covid-19; estratégias de imunização.