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Novo Horizonte - SP

Saúde Rural: Ampliação do acesso as comunidades rurais no contexto da pandemia da COVID19.

Autor(a): JANAíNA MARTINS LOPES

Coautor(a): Tiago Aparecido da Silva, Amarilis Biasi de Toledo Piza

Ano: 2022

Apresentação/Introdução

O município de Novo Horizonte com população de 36.593 habitantes (IBGE, 2010) e 931,668 km², atualmente é um dos municípios no Estado de São Paulo com maior extensão territorial. Localizado as margens do Rio Tiete com inúmeras casas de veraneio (ranchos) e duas grandes usinas, tem sua economia voltada para as atividades agrícolas e pecuárias. Nesse cenário, em janeiro de 2021, a população existente na área rural (2.545 pessoas), apresentava grandes dificuldades no seu cotidiano, na maioria das vezes relacionados as barreiras para acessarem os serviços de saúde pela dificuldade de locomoção, sendo que algumas comunidades rurais estão mais de 50 km do serviços de saúde mais próximo, ou até mesmo pela falta do transporte, sem falar nas disparidades sociais e iniquidades em saúde, onde, a população que re(existe) nessas localidades enfrentam, diariamente, além das vulnerabilidades individuais, sociais e programáticas, potencializadas com o cenário devastador causado pela pandemia da COVID19, agravando essas dificuldades, devido isolamento social e consequentemente nas medidas de controle e bloqueio da transmissão, como a diminuição dos transportes já insuficientes para a locomoção da população. Diante disso, a gestão municipal de saúde buscou compreender a necessidade de saúde da população rural e a estratégias que poderiam contribuir para a garantia do acesso e direito a saúde.

Objetivos

Compreender a necessidade de saúde da população nas comunidades rurais de Novo Horizonte e descrever o relato de experiência da implantação da estratégia adotada para ampliação do acesso aos usuários.

Metodologia

Visando conhecer as características da população área rural do município de Novo Horizonte, no mês de fevereiro de 2021 foi realizado o mapeamento das comunidades rurais e cadastramento de toda população, utilizando as fichas de cadastramento do E-SUS. Foi possível realizar o diagnóstico do território, identificando as principais características demográficas, econômicas, sociais, assim como as condições de saúde. Do total de 478 pessoas cadastradas, 44% estavam na faixa etária acima de 60 anos, 39% aposentados ou pensionista. Em relação as condições de moradia, 67% relataram que o lixo era coletado por caçamba de serviço de limpeza, 46% utilizava de fossa rudimentar e 61% tinha acesso a água através de poço ou nascente. Em relação as condições de saúde, foi possível identificar que 9 pessoas estavam na condição de acamado ou restrito no domicilio, 24% com diagnostico de hipertensão, 4,3% portador de diabetes, e por fim, uma informação que causou bastante preocupação foi o fato de 13% (60 pessoas) ter diagnóstico de algum transtorno mental, sendo que 43,3% (23 pessoas) estão na faixa etária acima de 60 anos. Após cadastramento, análise e identificação das necessidades de saúde da população e consequentemente das comunidades rurais, ficou evidente a necessidade de implantar uma equipe de atenção primária modalidade I (20 horas), exclusiva para atendimento itinerante nas comunidades com maior concentração de pessoas, abrangendo toda a área rural do município.

Resultados

Com a implantação da equipe de saúde rural (ESR), foi possível identificar as necessidades de saúde da população, sobretudo, viabilizar a ampliação do acesso em tempo oportuno de todas as comunidades rurais aos serviços de saúde existentes no município, onde na maioria das vezes não era de conhecimento das unidades básica de saúde e demais serviços, contribuindo para o agravamento dos casos e consequentemente o aumento da morbidade. Somente no período de junho à dezembro de 2021 foram realizadas 3.461 consultas médicas, 1.497 consultas de enfermagem, 199 coletas de exames laboratoriais, além de todos os casos de saúde mental serem discutidos em reunião de matriciamento com o CAPS para seguimento no serviço mais adequado de acordo com a gravidade. Por fim, vale destacar que é nítido a melhoria no acompanhamento e adesão ao tratamento dos portadores de doenças crônicas como hipertensão e diabetes, não sendo contabilizado no período qualquer agravamento dos casos em acompanhamento pela equipe desde o inicio das atividades da equipe.

Conclusões

Ampliar o olhar e enxergar as necessidades e especificidades de cada população e ofertar a estratégia que proporcione a melhoria da qualidade de vida das pessoas é papel do gestor do Sistema Único de Saúde. Nesse sentido, a equipe de saúde rural não representa somente o direito do usuário a saúde, mas sim a grandiosidade da capilaridade e integralidade do Sistema Único de Saúde, capaz de produzir saúde e contribuir para melhoria na qualidade de vida da população.

Palavras-chave

Atenção Básica,Saúde Rural,População,NovoHorizonte