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PIRAPORA - MG

TRATAMENTO DE TUBERCULOSE COM APOIO DE EQUIPE INTERSETORIAL DE PACIENTE EM VULNERABILIDADE SOCIAL.

Autor(a): Jane Aparecida Almeida Chamone

Coautor(a): Jane Aparecida de Almeida Chamone,Regina Coeli Nogueira da Silva,Mário Cristiano Joaquim da Cunha

Ano: 2025

Apresentação/Introdução

Paciente internado em hospital da cidade de PIRAPORA - MG, com diagnóstico de tuberculose, e em vulnerabilidade social. Vigilância Epidemiológica Hospitalar (NUVEH) entra em contato com Epidemiologia municipal, anunciando a alta do paciente, que segundo informações colhidas, era morador de rua, usuário de drogas ilícitas, vindo do estado de Pernambuco, sem familiares na cidade. Hospital relata que o paciente estava fazendo uso de RHZE (rifampicina +isoniazida + pirazinamida + etambutol) há 15 dias e estava liberado para dar continuidade do tratamento, sob os cuidados da Epidemiologia Municipal. A tuberculose é uma doença infectocontagiosa com alta transmissibilidade. A transmissão ocorre principalmente por meio do ar, através da tosse, fala e espirro, o portador da doença deve ficar em isolamento respiratório, até que inicie o tratamento. Fez-se necessário traçar estratégias urgentes com equipe multidisciplinar, (Vigilância Epidemiológica, Gestão em Saúde, Serviço Social e Atenção Primária), para fomentar a manutenção do tratamento do paciente.

Objetivos

Objetivo Geral Dar prosseguimento ao tratamento de tuberculose do paciente “sem residência fixa” no município de Pirapora -MG. O tratamento dura 6 meses, sendo dois meses na fase intensiva e quatro meses de manutenção, até a cura do paciente, aplicando o método do Tratamento Diretamente Observado (TDO), segundo protocolo do Ministério da Saúde. Objetivos específicos: 1- Mapear a rede de Atenção a Saúde voltada para população em vulnerabilidade social na cidade de Pirapora MG 2- Implementar estratégias no acompanhamento do caso, envolvendo a colaboração intersetorial 2- Realizar uma abordagem integral, incluindo medidas de controle de infecção e acesso a serviços de saúde

Metodologia

Trata-se de um estudo de caso, onde relata-se a experiencia exitosa da equipe multidisciplinar (Epidemiologia, Gestão em Saúde, Serviço Social (Secretaria das Famílias) e Atenção Primária), no cuidado ao paciente portador de tuberculose, em situação de rua, usuário de drogas ilícitas, sem familiares no município, para garantir o Tratamento Diretamente Observado do paciente. Foi aplicada a técnica do TDO, segundo o Manual de Recomendações para Controle da Tuberculose no Brasil, 2ºedição- MS. Este trabalho justifica-se pela necessidade de seguimento multiprofissional, com o abjetivo de articular estratégias e ações compartilhadas, prosseguir o tratamento e garantir a oportunidade de cura ao paciente. A Secretária das Famílias daria suporte necessário para que o paciente fosse atendido no Centro POP (Centro de Referência Especializado para População em situação de rua) com os serviços que o equipamento oferecia. A Epidemiologia que acompanhou o caso desde o início estaria articulado com a Atenção Primária, para que o paciente fosse atendido na Estratégia de Saúde da Família (ESF), para acompanhamento clínico e tratamento medicamentoso.

Resultados

Foi localizado um “informante chave” (parceiro da comunidade, que tem conhecimento especifico sobre determinados aspectos sociais) que colaborou dando apoio ao paciente, e nos informando sobre uma casa, que foi alugada pelo serviço social, onde o paciente poderia se instalar após a alta hospitalar. Após várias reuniões com profissionais da Atenção Primária, Gestão em Saúde, Epidemiologia e Centro POP para definição das funções e responsabilidades de cada um. Ficou firmado que o paciente iria fazer sua primeira refeição no Centro POP e um profissional da Atenção Primária (Enfermeiro, Técnico de Enfermagem ou Agente de Saúde) iria todos os dias realizar o TDO, enquanto a Epidemiologia iria garantir a entrega dos medicamentos, realização dos exames e monitoramento das ações. Durante os seis meses de tratamento houveram muitos percalços, principalmente pela situação e fragilidade do paciente em estudo. Houveram dias do paciente voltar para as ruas e não conseguirmos localiza-lo, aconteceu também de o paciente ficar resistente e negar realizar exames de rotina, a Atenção Primária desempenhou um papel muito importante, pois em nenhum momento deixou de acompanhar o paciente, mesmo nos finais de semana, onde a Agente Comunitária de Saúde, administrava a medicação, acompanhada de um funcionário do Centro POP.

Conclusões

A ação Multiprofissional e intersetorial foi realizada com sucesso. O empenho de cada setor teve grande relevância, inclusive da gestão, pois tivemos a participação do Secretário de Saúde, da Secretária das Famílias, do Diretor de Vigilância em Saúde, da Coordenadora de Vigilância Epidemiológica em quase todas as reuniões, proporcionando mais resolubilidade nas ações. Muitos foram os desafios encontrados, porém foram tratados de forma articulada, sem fragmentação do cuidado, onde cada um sabia de suas responsabilidades e após os 6 meses de tratamento, o paciente obteve alta e cura, assim como também teve adesão ao tratamento ao Centro de Atenção Psicossocial onde é atendido. Compreendemos assim, que a interação entre os profissionais é fundamental, com a troca de conhecimentos e experiências de cada um. Essa troca permite que a equipe tenha uma visão mais abrangente do problema ou do paciente, e possa elaborar um plano de ação mais adequado

Palavras-chave

Epidemiologia, intersetorialidade, TDO