Apresentação/Introdução
A partir das queixas da comunidade que observaram acúmulo de lixo e focos de mosquitos nos territórios, trabalhamos na articulação de técnicos das áreas de promoção da saúde e práticas integrativas e complementares para inserção no Plano municipal de saúde e plano de enfrentamento às doenças e agravos não transmissíveis, a implantação de jardins terapêuticos e hortas urbanas comunitárias nos territórios para promoção da saúde e ambientes saudáveis. A experiência iniciou em 2015, abrangendo 100% da população cadastrada na rede de atenção à saúde. O conceito Jardim Terapêutico foi criado durante a construção da Política Municipal de Plantas Medicinais do município de Vitória (2009) como: espaço de troca de informações sobre o saber tradicional e saber científico das plantas medicinais visando a identificação, cultivo, preparo e uso seguro das mesmas. A participação da comunidade com as questões ambientais e de promoção de vida saudável, promoveu interlocução dos saberes tradicionais e populares com as diversas formas de prevenção e cuidado integral inclusive com os programas por ciclo de vida (saúde da criança, do adolescente, da mulher, do homem e do idoso). Sendo assim a implantação dos Jardins terapêuticos e hortas comunitárias promove o protagonismo dos sujeitos e valoriza a prática de uma vida mais saudável, favorecendo a compreensão dos indivíduos e coletividades em suas singularidades, numa visão ampliada do cuidado, com atividades promotoras de saúde e bem-estar.
Objetivos
Geral: implantar jardins terapêuticos e hortas urbanas comunitárias em 100% das regiões de saúde a partir de ações educativas e promotoras de saúde. Específicos: - estimular a participação da comunidade para o uso consciente e racional das plantas medicinais e alimentícias, e ambientes saudáveis - auxiliar na redução da medicalização social muitas vezes associada à incorporação de normas de conduta de origem biomédica - valorizar os saberes populares e ancestrais - inserir a comunidade na construção de planos de ação e políticas públicas de saúde intersetoriais - estimular o autocuidado e o cuidado com o ambiente -aproximar a população da natureza, valorizando o saber dos seus antepassados, realizando assim um resgate da autoestima, solidariedade, integrando as comunidades e ampliando as parcerias.
Metodologia
Iniciamos atendendo solicitação da comunidade e/ou dos profissionais de saúde dos territórios envolvidos, e após a primeiro diálogo, realiza-se parecer técnico do espaço sugerido, pelo agrônomo da equipe de práticas integrativas e complementares, visando a viabilidade da implantação. São levantados os recursos materiais e humanos necessários para implantação do projeto enquanto é ofertado um Curso “Plantando Saúde”, para os profissionais de saúde e comunidade, responsáveis pelos jardins e hortas. O Curso é composto de cinco encontros, de duas horas, onde se aborda: importância de espaços saudáveis o incentivo à alimentação saudável e orgânica o cultivo das plantas medicinais, controle de pragas e de doenças das plantas aproximação com a natureza e a produção de mudas preparo de chás, xaropes, sachês aromáticos, geleias, repelentes naturais orientação sobre o uso racional das plantas medicinais e alimentícias. Após o curso, ocorre a implantação do jardim terapêutico/horta comunitária, e a comunidade em conjunto com os profissionais de saúde do SUS realizam a manutenção e colheita compartilhada e periódica, e recebem assessoria técnica do agrônomo e da área técnica das práticas integrativas e complementares, periodicamente.
Resultados
Foram ofertados 10 Cursos Horta da Saúde a partir de 2016 até 2019, com implantação de 10 hortas urbanas comunitárias e 5 Jardins terapêuticos. Com a pandemia houve um espaçamento das atividades que retornaram no final de 2021, sendo que foram visitados diversos espaços porém até o momento foram implantadas mais duas hortas em espaços de instituições parceiras (UFES e IFES Vitória). Foram capacitados 110 profissionais de saúde: enfermeiros, médicos, odontólogos, assistentes sociais, professor de educação física, terapeuta ocupacional, psicólogo, nutricionista e arteterapeuta. Foram capacitados cerca de 150 guardiões e guardiãs das hortas e jardins terapêuticos em 100% das regiões de saúde: São Pedro Forte São João Maruípe Centro Continental e Santo Antônio.
Conclusões
A institucionalização da Política municipal de plantas medicinais e fitoterápicos no SUS em Vitória que cria os Jardins terapêuticos foi fundamental , pois diversas categorias profissionais do SUS e comunidades aderiram ao cultivo de ervas medicinais e aromáticas em diversos espaços públicos além dos serviços da rede de saúde, tais como da rede municipal de ensino ( escolas e creches), de assistência social (Centros de referência em assistência social) e outras instituições públicas municipais. O sucesso da implantação dos jardins terapêuticos incentivou os gestores, inserindo também as hortas urbanas e comunitárias no plano de metas da saúde, valorizando e ampliando as ações de promoção da saúde visando a adoção de hábitos de vida saudáveis para promoção de ambientes saudáveis e alimentação orgânica e natural. Desta maneira projetos de hortas e jardins terapêuticos e ações de educação em saúde tais como oficinas e cursos de capacitação em cultivo, preparo de receitas artesanais e uso consciente de alimentos e plantas medicinais, passaram a fazer parte do Plano municipal de enfrentamento às doenças e agravos não transmissíveis e do Plano de capacitação dos professores da rede municipal de educação.
Palavras-chave
jardins terapêuticos hortas urbanas comunitárias