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Xapuri - AC

Projeto Caminha Comigo transforma realidade de pessoas idosas em Xapuri com atividade física


23/04/2025 11h25

Por Giovana de Paula

Até cinco milhões de mortes anuais poderiam ser evitadas se a população em todo o mundo fosse mais ativa, segundo dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) de 2020. Estatísticas da instituição apontam que um em cada quatro adultos e quatro em cada cinco adolescentes não praticam atividade física suficiente, o que custa US$54 bilhões em assistência médica direta e US$14 bilhões em perda de produtividade. Fundamental para prevenir e controlar doenças, os exercícios reduzem também os sintomas de depressão e ansiedade, além de melhorar a memória e diminuir perdas cognitivas. Para estimular uma vida com mais movimento e promover a saúde mental da população, sobretudo a de pessoas idosas, o projeto Caminha Comigo foi criado na cidade acreana de Xapuri, a 175 km da capital.

A iniciativa surgiu a partir de um diagnóstico realizado com adultos e idosos da Unidade Básica de Sáude Mauro José Lima de Souza no ano de 2016. A análise se focou em pacientes com hipertensão, diabetes e outras comorbidades, com o objetivo de melhorar o bem-estar físico, psicológico e social. A literatura científica indica que a prevalência de transtornos mentais entre pessoas idosas são crescentes, por questões como isolamento e perda gradativa de habilidades motoras — e a pandemia de Covid-19 agravou o cenário, com um aumento global de ansiedade e depressão em 25%.

O Caminha Comigo oferece aos pacientes um cuidado integral, pautado em ações para incentivar hábitos saudáveis; oferecer acolhimento e escuta qualificada; realizar grupos terapêuticos e atividades de lazer; fortalecer a rede de apoio e estimular a prática de atividades físicas a partir da caminhada. “O Caminha Comigo foi fundamental para garantir uma abordagem integral aos pacientes, considerando não apenas os aspectos físicos, mas também os emocionais, sociais e psicológicos”, pontua a enfermeira especialista em psiquiatria, Agda Menezes Cabral.

A iniciativa é composta por uma equipe multidisciplinar, que utiliza a implementação de grupos educativos e terapêuticos como estratégia de tratamento. A ação é acompanhada por trabalhadores da área de saúde mental: enfermeiro especializado em psiquiatria, psicólogo, assistente social, psiquiatra por meio da telemedicina, voluntária em Educação Física, médico e agente comunitário de saúde. “A interação entre profissionais de diversas áreas — como médicos,  psicólogos, educador físico — permitiu um olhar mais amplo sobre as necessidades dos participantes, promovendo um cuidado mais humanizado e eficiente. O projeto tem transformado vidas, promovendo uma maior interação entre a equipe e os participantes, além de contribuir para a melhoria do condicionamento físico, mental e social”, continua Agda.

Participante desde 2016, Sebastiana Pereira da Costa conheceu a iniciativa por meio do centro de saúde do seu bairro. Dona de casa, a paciente do SUS encontrou uma oportunidade de se movimentar e estabelecer novos laços sociais: “Eu era muito sedentária, então através do Caminha Comigo comecei a me exercitar. Eu tinha uns problemas de saúde, aí melhorei bastante mesmo, graças a Deus”, compartilha. “E pretendo continuar assim, sempre me exercitando”, complementa.

Os resultados do projeto evidenciam a transformação no cotidiano dos participantes: 70% dos pacientes monitorados pela equipe que apresentam transtorno mentais integram o projeto Caminha Comigo;  47% dos usuários do SUS em tratamento prolongado na clínica identificam melhoras nos quadros de ansiedade e depressão; o consumo de medicamentos psicotrópicos foi diminuído em 17%. Os adeptos do Caminha Comigo relatam também melhor controle das complicações das doenças relacionadas à desordens mentais, além de aumento na disposição para trabalho e lazer.

O Caminha Comigo atende uma média de 30 pacientes. Em 2025, foram incorporadas mais 80 pessoas dos grupos terapêuticos, que  realizarão auriculoterapia em um novo projeto de cuidado e atenção à saúde mental. Para manter as atividades e ampliar o atendimento, a equipe de profissionais buscou parcerias com o Ministério Público e  o Tribunal de Justiça, por meio de uma iniciativa de penas pecuniárias, adquirindo trajes esportivos, tênis e outros materiais no valor de R$10.000,00. A ação também conta com o apoio do Hospital Israelita Albert Einstein, em São Paulo, com telemedicina; e dos alunos de Medicina da  Universidade Federal do Acre.

Diretrizes globais para redução da inatividade física

As diretrizes da Organização Mundial da Saúde recomendam pelo menos 150 a 300 minutos de atividade aeróbica moderada a vigorosa semanais para adultos, incluindo quem vive com doenças crônicas ou incapacidade. Para pessoas idosas (com 65 anos ou mais), recomenda-se adicionar atividades que foquem no equilíbrio, coordenação e fortalecimento muscular para ajudar a prevenir quedas e melhorar a saúde.

A OMS incentiva os países a adotarem essas diretrizes no desenvolvimento de políticas nacionais de saúde em apoio ao plano de ação global sobre atividade física 2018-2030. Assinado em 2018 por líderes mundiais na 71ª Assembleia Mundial da Saúde, o documento propõe medidas para reduzir a inatividade física em 15% até 2030.