07/04/2026
07/04/2026 15h46

O município de Queimadas, no interior da Paraíba, está transformando a realidade da imunização para a população vulnerável da região. Com uma população de 50.214 habitantes e uma vasta extensão territorial, a cidade desenvolveu uma estratégia inovadora para garantir que o cuidado em saúde mental não caminhe separado da prevenção física: a vacinação itinerante dentro do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS).
A iniciativa surgiu da observação de que os usuários do CAPS apresentavam uma baixa frequência nas Unidades Básicas de Saúde (UBS). Muitas vezes, o estigma associado ao transtorno mental criava uma barreira invisível, fazendo com que esses pacientes priorizassem apenas o tratamento especializado e deixassem de lado o calendário vacinal.
Diferente do modelo tradicional, o trabalho começa com o cruzamento de dados entre o Programa Nacional de Imunizações (SI-PNI) e o Prontuário Eletrônico (PEC), identificando quem está com doses em atraso. Em seguida, os agentes comunitários de saúde realizam um trabalho de "formiguinha", visitando os usuários e explicando a importância da imunização.
Uma vez por mês, uma unidade móvel de vacinação é montada no CAPS. "O nosso convencimento é no sentido de mostrar que ele terá acesso à vacina no ambiente onde já se sente acolhido", explicou Livia Maria, enfermeira e autora do projeto. O processo envolve uma logística rigorosa, com transporte de doses em caixas térmicas monitoradas por termômetros, garantindo a eficácia de imunizantes contra doenças como hepatite e sarampo.

A eficácia do modelo integrado já se reflete nos números. Desde a implementação, o município conseguiu Atualizar 53% das cadernetas de vacinação que estavam em atraso entre os usuários do serviço; Alcançar cobertura vacinal positiva em campanhas nacionais, como a do sarampo e fortalecer a intersetorialidade, unindo a rede de saúde mental às 18 UBS e 15 postos âncoras da zona rural.
O sucesso da ação em Queimadas reside na visão de que o SUS deve ser sistêmico. Ao reunir competências e esforços convergentes, a Secretaria de Saúde conseguiu retirar o paciente de um estado de "estagnação" e devolvê-lo ao papel de cidadão com direitos plenos.
"Quando você pode ofertar para esse usuário saúde integral, a possibilidade de acesso a um serviço onde ele é mais um cidadão que tem direito àquele espaço, isso não tem preço", destaca Aluska Genuína, coordenadora de Imunização.
O que começou como uma ação pontual para sanar uma demanda reprimida agora será incorporado como rotina. O modelo de Queimadas prova que, para o fortalecimento do SUS, é preciso sair do cuidado fragmentado e olhar para o indivíduo de forma completa, garantindo que a promoção da saúde chegue a todos os cantos, da zona urbana aos postos mais remotos da zona rural.
Esta experiência de êxitosa é um dos destaques da 8ª temporada da série de Webdocs Brasil, Aqui Tem SUS. Confira o episódio do webdocumentário no município de Queimadasa na Paraíba, disponível às 18h no canal do Conasems no YouTube e na programação da TV Mais Conasems.